Behind the Mask: The Rise of Leslie Vernon (2006)

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Behind the Mask: the rise of Leslie Vernon é uma das gratas surpresas de 2006 e merece reverência pelo simples fato de conseguir revitalizar o combalido gênero slasher, num filme capaz de agradar tanto a fãs quanto a detratores do gênero.

Eu digo: 8/10

Que tem de bom?
- O mockmentary é um presente para todo fã de horror.
- Interpretações descontraídas e convicentes.
- Plot twist que funciona muito bem.
- O melhor slasher dos últimos tempos.

Que tem de ruim?
- O personagem de Robert Englund parece fora de propósito.
- Apesar da idéia original e de ser um divertido slasher, raramente ele deixa de ser MAIS UM slasher.

Dirigido pelo estreante Scott Glosserman – que produziu um curta alegremente entitulado No Escape: Prison Rape - e estrelado por um grupo de célebres desconhecidos misturados a figurinhinhas carimbadas dos fãs de horror, Behind the Mask… eleva a nerdice ao cubo ao imaginar como seria um filme concebido, estrelado e realizado por Randy Meeks, se este infeliz não tivesse morrido lá pela metade de Pânico.

Exato: Randy é o Nerd que possui conhecimento de todo o aparato de clichês dos filmes de terror e, assim, é capaz de entender e analisar o que o assassino de Pânico está fazendo – o que não o impede de acabar morto, he, he, he. No filme de Glosserman, quem dá as dicas é o próprio assassino, Leslie Vernon (Nathan Baesel em seu primeiro papel digno de nota), que na infância foi linchado pela população local após ter matado seus pais. Trinta anos depois, Vernon, que andou treinando duro, muito duro, volta para se vingar contra a população local, escolhendo os jovens como suas vítimas em potencial.

Durante a primeira hora de filme, Leslie cuidadosamente disseca cada um dos clichês do gênero, preparando o campo para a carnificina que vem em seguida. Somos apresentados, em primeira-mão, a todos os processos necessários para se estripar, torturar, e detonar um bando incompetente e bastante burro de adolescentes. Leslie concentra-se, também, em criar uma conexão com sua garota Sobrevivente: a virginal que, no fim da carnificina, enfrentará-lo de igual para igual. Se não existir esta conexão, os assassinatos não terão cumprido o seu objetivo. No caso de Vernon, esta jovem é garçonete loira Kelly.

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A virginal Kelly usa de uma arma fálica para detonar seu algoz

Conduzindo o documentário está a jornalista Taylor Gentry (Angela Goethals fazendo a transição de estrela infantil para a maioridade) e os cinegrafistas Doug e Todd. A personagem de Taylor é, desde o início, inocentemente manipulada por Leslie, que mostra-se amigável e despreocupado. A interpretação de Nathan para Leslie lembra muito – física e psicologicamente – a Jim Carrey e, claro, não poderíamos simpatizar mais com ele do que de outra maneira.

À medida que o filme vai evoluindo, vamos reparando mais nos trejeitos de Taylor: sua constante curiosidade, seu faro investigativo (é uma jornalista, afinal), sua ingenuidade, seu sorriso cativante… Quando a barra começa a pesar, Taylor entra num dilema profissional: deve ela tentar impedir toda aquela carnifica ou apenas continuar filmando?

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Eugen (Scott Wilson) já foi o melhor no seu campo

Enquanto desenvolve seu plano, Leslie leva Taylor à companhia de seus melhores amigos: o psicopata aposentado Eugene (Scott Wilson, fenomenal) e sua bela esposa Jamie (Bridgett Newton, ilustre desconhecida). Jamie é a garota Sobrevivente de uma das noites de assassínio de Eugene – e a provável razão de sua aposentadoria – que apaixonou-se por seu algoz. Eugene figura entre um dos melhores do seu tempo (os anos 1960 e 1970) e o mentor entusiasmado de Leslie Vernon.Note a data de atuação de Eugene: antes dos “garotos” Jason Voorhes, Freddy Krueger e Mike Myers revolucionarem o gênero. Os três são citados como grandes exemplos a serem seguidos pois, como comenta Eugene, transformaram-se em verdadeiras maldições, abrindo mão de suas mortalidades para adentrarem um mundo completamente novo e muito mais nocivo: o das idéias.

A razão de existir um psicopata slasher a solta numa cidadezinha norte-americana é simples, segundo Eugene: para que exista o Bem, deve haver o Mal. E, de certa forma, a personificação do Mal puro é o que a maioria destes personagens são nos roteiros mais baratos. Não obstante, ficamos chocados com a idéia de que um sujeito tão agradável e boa pinta como Leslie Vernon seja capaz de fazer mal a uma mosca. Que dirá a um bando de jovens.

Mas é aí que se encontra a perfídia e a genialidade de Vernon. E, neste detalhe que é bom demais para ser contado sem estragar o plot twist do filme, é que se encontra a motivação de um assassino em declarar seus próximos assassinatos.

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Ele pode não ter um grande personagem, mas ainda sabe o que faz

Como carta fora do baralho existe o personagem do célebre Robert Englund (o Freddy em pessoa). Ele faz o papel do Dr. Halloran, o Abnegado, aquele sujeito que sintetiza em si todas as qualidades do Bem e do que é Justo, em oposição ao Mal. Porém, sua primeira aparição deixa uma dúvida quanto a um (im)provável furo de roteiro. Ele surge numa biblioteca, bem no momento em que a bibliotecária (Zelda Rubinstein, a médium Tangina de Poltergeist) revela à jovem Kelly o mito de Vernon. Vernon mata a bibliotecária e é atingido no ombro pelo abnegado Dr. Halloran, que toma Kelly em seus braços e – aparentemente – começa a protegê-la.Na cena seguinte, Taylor e Todd entram na lancheria onde Kelly trabalha como garçonete e são surpreendidos pelo mesmo doutor, que lhes adverte sobre Leslie Vernon e sua verdadeira identidade. O doutor parece possuir poder suficiente para evitar o prosseguimento do plano de Vernon, apenas comunicando a Kelly o que se passa. Mas não o faz, o que leva a crer que ele saiba do plano verdadeiro de Vernon – e alertar Kelly e/ou Taylor faria com que Vernon escapasse para outra cidadezinha. Assim, parece que o heróico Dr. Halloran deixa as coisas seguirem até que tenha o seu showdown com Vernon. Afinal, que são três ou quarto mortes inocentes no duelo entre o Bem e o Mal, mesmo?

Black Mask: the Rise of Leslie Vernon é um ótimo presente para todos os fãs de terror, principalmente aqueles que – como eu – tiveram seu primeiro contato com o gênero nas sessões da tarde do final da década de 1980, quando pérolas como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Primeiro de Abril dos Mortos e outros faziam a nossa alegria. É um filme de fã para fã, que boicota o potencial que possui para ficar preso aos clichês e – mais do que assustar – fazer rir e reconhecer. Ainda, mais do que um filme para fã, é um filme para aqueles que odeiam os slashers, por todas as críticas indubitáveis deles, como falta de profundidade dos personagens, clichês, alegorias do Bem e do Mal, etc. E Behind the Mask… se torna uma raridade por isso: é muito difícil encontrar um filme que agrade tanto aos fãs quanto aos detratores de um gênero. E Scott Glosserman conseguiu esta façanha. Recomendadíssimo.

BEHIND THE MASK: THE RISE OF LESLIE VERNON. EUA, 2006. 92min. Glen Echo Entertainment. De: Scott Glosserman. Com: Angela Goethals (Taylor Gentry), Nathan Baesel (Leslie Vernon), Robert Englund (Doc Halloran), Scott Wilson (Eugene), Bridgett Nelson (Jamie), Zelda Rubinstein (Mrs. Collinwood), Kate Lang Johnson (Kelly Curtis), Britain Spellings (Todd), Krissy Carlson (Lauren). Roteiro: Scott Glosserman e David Stieve. Produzido por: Scott Glosserman e Al Corley. Música de: Gordy Haab. Direçao de Fotografia: Jaron Presant. Desenho de Produção: Travis Zariwny. Editado por: Sean Presant. Direção de Arte: Zack Smith. Efeitos Especiais: William Boggs, Carly Sertic e Kai Shelton. Distribuído por: Anchor Bay Entertainment (EUA), Starz Entertainment (Austrália), Sunfilm Entertainment (Alemanha).

~ por B. Haunted em 2007, Agosto 7.

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